4 tipos de meme que revelam como a GenZ cria conexão

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações · 11 de agosto de 2026

Pesquisa do InstitutoZ em parceria com o Saquinho Mídias Criativas classifica os memes em categorias e revela os padrões por trás da viralização
"Calma, calabreso." "Attenzione pickpocket." "Gente, vamos almoçar?" "Base da Virgínia."
Memes diferentes, contextos diferentes, momentos diferentes — mas todos eles atravessaram a internet com uma força parecida. Por quê? O que faz um conteúdo sair do nada e tomar conta do feed de uma geração inteira?
Para responder essa pergunta, o InstitutoZ da Trope-se, em parceria com o Saquinho Mídias Criativas, fez um estudo sobre a relação da Geração Z com memes e identificou quatro categorias com características em comum: bordões, ao vivo, cotidiano de um trabalhador e o poder da internet. Cada uma tem seus próprios mecanismos de viralização — e entender a diferença entre elas é entender como a GenZ se comunica.
Bordões: o meme que vira expressão
Memes bordões são os que entram para o vocabulário. "Se isso é estar na pior" não ficou famoso só pelo humor — ficou famoso porque se tornou uma expressão utilizável em dezenas de contextos diferentes. É a versatilidade que sustenta o bordão: quanto mais situações ele consegue descrever, mais vida tem.
Luiz Menezes, fundador da Trope-se, aponta o que os bordões têm em comum: "originalidade, humor universal e capacidade de despertar o engajamento da comunidade." Eles também se conectam diretamente com a próxima categoria.
Ao vivo: o meme que ninguém planejou
"Calma, calabreso", dito por Davi no BBB 24. "Hoje é dia de rock, bebê", falado pela atriz Christiane Torloni durante o Rock in Rio de 2011. Nenhum dos dois foi planejado para virar meme — e é exatamente isso que os tornou irresistíveis.
Como explica Luiz: "Essa naturalidade é o que faz com que se destaquem, além de serem simples e utilizarem humor universal." O meme ao vivo captura um momento real, espontâneo, sem edição — e a GenZ, que tem um detector de autenticidade muito bem calibrado, responde a isso com engajamento imediato.
Cotidiano de um trabalhador: relatabilidade como motor
"Attenzione pickpocket" e "Gente, vamos almoçar?" têm algo em comum: são situações absurdamente comuns que, com criatividade e timing certo, viraram fenômeno. As duas protagonistas foram parar no Fantástico — sem ter feito absolutamente nada extraordinário, a não ser existir de forma muito humana em frente a uma câmera.
Esse é o poder da relatabilidade. Quando um meme descreve algo que qualquer pessoa já viveu ou sentiu, o compartilhamento é quase automático. Não é sobre o conteúdo ser engraçado — é sobre ele ser verdadeiro.
O poder da internet: quando a comunidade é o produto
"Base da Virgínia" e "Uma fazenda maluca" são exemplos do tipo de meme mais complexo de entender — e o que mais depende de fatores externos para viralizar. Luiz aponta os ingredientes: "timing de outros criadores de conteúdo, adaptabilidade para adequar o meme em novos contextos e relatabilidade que gera engajamento da comunidade."
Nessa categoria, o meme original é só o ponto de partida. O que o faz crescer é a rede de criadores que o ressignifica, adapta e carrega para comunidades diferentes. É criação coletiva em tempo real.
O que une tudo isso: pertencimento
Por trás das quatro categorias, o mesmo motor. Mais de 50% da GenZ concorda que memes contribuem para o senso de pertencimento de comunidades. Luiz resume o que isso significa na prática: "Se você não acompanha um determinado assunto, os memes não farão sentido e é provável que fique fora da conversa."
O meme não é só entretenimento — é um teste de pertencimento. Quem entende a referência está dentro. Quem não entende, fica de fora.
Para marcas, isso tem uma implicação direta: entrar na conversa dos memes exige conhecer as comunidades onde eles circulam, o timing certo e a capacidade de adaptar — não apenas replicar. Um meme transplantado sem contexto não conecta. Um meme genuinamente integrado ao universo de uma comunidade pode ser o ponto de contato mais orgânico que uma marca já teve com a GenZ.
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