Como a GenZ está reinventando o teatro, começando por Wicked

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações · 11 de agosto de 2026

Broadway virou TikTok, cosplay e fandom — e quando a cultura tradicional aprende a falar a língua das novas gerações, ela não se perde. Ela se expande.
Se antes a Broadway era vista como espaço exclusivo para quem usava sapato social e lia jornal impresso, hoje ela está começando a falar a língua da GenZ — com direito a cosplay de Elphaba, dancinha no TikTok e memes que tomam conta do feed.
O teatro está se reinventando. E uma peça-chave nessa história é Wicked (2024), que virou hype entre as novas gerações e abriu as cortinas para um novo modelo de experiência cultural.
O que aconteceu com Wicked não foi só um lançamento bem-sucedido. Foi uma aula sobre como uma história clássica pode se tornar relevante para uma geração completamente nova quando encontra os códigos certos. Elenco diverso com Cynthia Erivo e Ariana Grande, mensagens contemporâneas sobre empatia, pertencimento e representatividade, e uma presença digital que entregava tudo ao mesmo tempo: nostalgia, estética e storytelling expansível.
O resultado: os fãs não assistiram ao filme. Eles viraram personagem dele. Recriaram cenas, fizeram cosplay, produziram memes, abriram discussões sobre os temas centrais da obra. A história deixou de ser propriedade dos estúdios e virou matéria-prima de uma comunidade.
A GenZ não quer só assistir — quer participar
Esse comportamento tem uma lógica clara quando a gente entende como as novas gerações se relacionam com cultura. A pesquisa A Relação da Geração Z com Memes, do InstitutoZ da Trope-se, mostra que mais de 80% da GenZ concorda que memes e referências compartilhadas facilitam a conexão com outras pessoas — funcionando como uma linguagem comum dentro de comunidades digitais.
Um fandom não é só entretenimento. É pertencimento. E quando uma obra oferece material rico para esse tipo de participação, ela deixa de ser produto e vira universo.
Wicked ofereceu tudo isso. A rivalidade Glinda versus Elphaba como debate cultural, a estética visual como identidade de grupo, as músicas como trilha sonora de momentos pessoais. A GenZ não consumiu o filme — ela o habitou. E o que acontece quando uma geração habita uma obra é completamente diferente do que acontece quando ela simplesmente a assiste.
O palco mudou — e o Brasil também percebeu
Esse movimento não ficou restrito aos Estados Unidos. Com a peça retomando aos palcos no Brasil em 2025, o país acompanhou sessões lotadas e um público repleto de jovens vivendo sua primeira experiência com musicais através de Wicked.
Para muita gente, o teatro não era um ambiente familiar. Era formal demais, distante demais, caro demais. Mas quando a história chegou junto com o contexto cultural que eles já viviam online — os memes, os cosplays, as discussões no TikTok — a barreira caiu.
A Broadway que apostou em marketing com influenciadores, ingressos mais acessíveis e uma presença digital que traduzia a obra para o idioma das redes não estava diluindo o teatro. Estava expandindo quem pode acessá-lo.
Quando a cultura tradicional aprende a língua das novas gerações
Existe um medo legítimo de que adaptar formatos clássicos para o consumo digital signifique perder profundidade, contexto ou qualidade. Mas Wicked mostra que o caminho pode ser outro.
A GenZ não rejeita complexidade. Ela rejeita exclusividade. Rejeita a cultura que pede que você deixe parte de si do lado de fora antes de entrar.
Quando uma obra clássica abre espaço para que ela participe, remixe, crie fandom e se reconheça dentro da história — ela não só consome. Ela cuida. E quando uma geração começa a cuidar de algo, ela também passa a preservá-lo.
O palco é só o começo.

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações
A Trope-se é uma consultoria de novas gerações que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócios, conectando-as com a GenZ e GenAlpha a partir de interpretações antropológicas. Fundada em 2021, a martech da creator economy tem como principal objetivo acelerar companhias que necessitam fazer parte da cultura da internet. Especializada em impulsionar o protagonismo dos nativos digitais, a Trope-se busca ser o braço das novas gerações das empresas.
