Abraçar árvore não é só pra hippie

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações · 11 de agosto de 2026

Não é novidade que a gente vive colado na tela e cada vez mais distante da natureza. Mas qual é o tamanho real desse distanciamento? Um estudo publicado na revista científica Earth mostrou que nossa conexão com o meio natural caiu 60% desde 1800 — uma comparação realizada até 2020. E isso não é só sobre árvores e parques. É sobre estilo de vida, saúde mental e o jeito que a gente constrói cultura.
O dado que mais chama atenção é geracional: a relação dos pais com a natureza é o maior preditor da conexão dos filhos, com 80% de peso. Ou seja, se uma geração não vive essa experiência, dificilmente a próxima vai criar esse vínculo sozinha. Para a GenZ e a Alpha, que crescem entre urbanização acelerada, burnout precoce e hiperconexão digital, o desafio é ainda maior. Como reconstruir essa ponte com a natureza sem abrir mão do ritmo cultural acelerado que molda suas identidades? Como fazer o verde caber no feed?
A resposta está no cruzamento entre cultura, creators e marcas
A pesquisa Quem Influencia a Geração Z?, do InstitutoZ da Trope-se em parceria com o YOUPIX (2025), traz dados que mostram a dimensão dessa oportunidade: mais de 84% da GenZ consome conteúdo de influenciadores diariamente, e 30% é influenciada por eles no estilo de vida saudável. Ao mesmo tempo, 88% considera importante avaliar os aspectos éticos das marcas, e 78% já deixou de comprar um produto ao descobrir algo negativo sobre a empresa.
Ou seja: essa geração está prestando atenção. Ela compra valores, não só produtos. E quando uma marca entra genuinamente numa conversa cultural, o impacto vai muito além do feed.
A VIVO fez exatamente isso no The Town 2025. Em vez de uma campanha tradicional de sustentabilidade, a marca levou a Amazônia para São Paulo — conectando o urbano à natureza dentro de um dos maiores festivais do país, com música como potencial transformador. Não foi só ação ambiental. Foi uma declaração cultural sobre o que a marca acredita e com quem ela quer conversar. Esse é o tipo de movimento que ressignifica o que "verde" significa para as novas gerações.
Do feed pra vida real
A GenZ não quer greenwashing. Ela consegue identificar quando uma causa é genuína ou quando é figurino de campanha. Mas quando a experiência é real — quando o vínculo com a natureza vira parte de uma identidade cultural compartilhada — a adesão acontece de forma orgânica.
Creators que falam de vida ao ar livre, de alimentação consciente, de contato com a natureza como parte do cotidiano já constroem comunidades com forte engajamento. Não porque o tema é bonito no Instagram. Mas porque ele responde a uma necessidade real de uma geração que cresceu hiperconectada e ressente, muitas vezes sem nomear, a falta de contato com o mundo físico.
Marcas que entendem isso têm chance de se tornar referência — não só no feed, mas na vida real. Verdejar o ambiente de trabalho, criar benefícios que incentivem experiências ao ar livre, apoiar vivências familiares na natureza e contar histórias que celebrem esse vínculo são caminhos concretos para entrar nessa conversa com autenticidade.
O futuro pede mais do que campanhas bonitas. Pede transformações que as pessoas consigam sentir.
No fim das contas, se a gente quer que as próximas gerações cuidem do planeta, primeiro elas precisam sentir que pertencem a ele.

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações
A Trope-se é uma consultoria de novas gerações que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócios, conectando-as com a GenZ e GenAlpha a partir de interpretações antropológicas. Fundada em 2021, a martech da creator economy tem como principal objetivo acelerar companhias que necessitam fazer parte da cultura da internet. Especializada em impulsionar o protagonismo dos nativos digitais, a Trope-se busca ser o braço das novas gerações das empresas.
