GenZ fora das caixinhas: 58% da new gen está fora do espectro hétero/cis

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações · 11 de agosto de 2026

Mais da metade da Geração Z brasileira se declara dissidente em identidade de gênero e/ou orientação sexual.
A pesquisa GenZ Faz 30 Anos, do InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, ouviu mais de 6.000 pessoas da GenZ brasileira — entre 17 e 30 anos — e chegou a um número que muda a forma como qualquer marca, empresa ou instituição precisa enxergar essa geração: 58,4% se identificam fora dos padrões tradicionais de heterossexualidade e cisgeneridade.
Dentro desse grupo, 57,2% estão fora do espectro heterossexual na orientação sexual e 10,1% possuem identidades de gênero dissidentes — trans, não-binárias, agênero, gênero fluído. Como as duas dimensões podem se sobrepor, parte dos respondentes aparece nos dois recortes.
A bissexualidade como nova maioria silenciosa
O dado mais surpreendente do levantamento não é o tamanho do grupo LGBTQIA+. É a distribuição dentro dele. A bissexualidade aparece como a principal orientação não-heterossexual da GenZ — sozinha, representa 31% de toda a amostra. Número superior à soma de homossexuais, pansexuais e demais categorias combinadas.
O levantamento também registra o crescimento expressivo de categorias que praticamente não apareciam em pesquisas geracionais anteriores: pansexualidade, queer, assexualidade. Não é modismo. É uma geração que amplia as formas de nomear afeto, desejo e identidade — e que entende que a linguagem precisa acompanhar a experiência real das pessoas.
Mais ansiedade, trajetória menos linear
A pesquisa vai além da identidade. Ela mostra como essas experiências impactam a relação da GenZ com a vida adulta.
Pessoas LGBTQIA+ apresentam níveis significativamente mais altos de ansiedade e insegurança em relação ao futuro quando comparadas ao grupo hétero/cis. 33,5% afirmam estar ansiosas com o que vem pela frente (contra 29,1% entre hétero/cis). 40% relatam baixo conforto com a vida adulta. E apenas 18% apresentam alto conforto — enquanto no grupo hétero/cis esse número é de 23,9%.
Quando o assunto é o que ainda impede a sensação de estar plenamente na vida adulta, o grupo LGBTQIA+ é consistentemente mais afetado por bloqueios subjetivos e comparativos, não apenas financeiros: instabilidade financeira (61,5%), sensação de atraso em relação aos outros (55,6%), insegurança profissional (50,7%), comparação com pessoas da mesma idade (48,6%) e falta de clareza sobre o futuro (47,8%).
Redes sociais como espelho e pressão
As redes sociais têm peso diferente para cada grupo. Entre pessoas LGBTQIA+, 27% classificam o impacto das redes no nível máximo e 32,9% atribuem nota 4. No grupo hétero/cis, os índices são 24,3% e 28,2%, respectivamente.
Para o grupo LGBTQIA+, as redes sociais funcionam de forma ambivalente: são ao mesmo tempo o principal espaço de construção de identidade e comunidade, e uma fonte permanente de comparação e pressão. Mais escolaridade e mais exposição às redes formam um perfil que é simultaneamente mais informado sobre si mesmo e mais exposto à ansiedade comparativa. O digital não liberta, ele amplifica." — Luiz Menezes, CEO da Trope-se
Uma geração que constrói referências próprias
Para uma parcela significativa da GenZ, a entrada na vida adulta acontece fora dos roteiros que historicamente definiram estabilidade, pertencimento e realização. Em vez de reproduzir trajetórias já estabelecidas, essa geração constrói referências próprias sobre afeto, moradia, vínculos e formas de existir.
Isso não acontece num vácuo. A GenZ cresceu num contexto de maior visibilidade da diversidade sexual e de gênero — com mais representação na mídia, nas redes e no convívio cotidiano. Mas crescer com mais naturalidade em relação à própria identidade não significa crescer num mundo mais seguro. O Brasil segue sendo um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo.
Quando essa geração lida com identidade com mais abertura, não estamos falando de conquista definitiva. Estamos falando de uma geração que entendeu que, para além de existir, ela precisa de direitos, acesso e oportunidade. Pessoas LGBTQIA+ existem no mundo desde que o mundo é mundo. O que lhes foi negado por muito tempo foi espaço e dignidade, e é essa conquista que a comunidade segue lutando para consolidar.

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A Trope-se é uma consultoria de novas gerações que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócios, conectando-as com a GenZ e GenAlpha a partir de interpretações antropológicas. Fundada em 2021, a martech da creator economy tem como principal objetivo acelerar companhias que necessitam fazer parte da cultura da internet. Especializada em impulsionar o protagonismo dos nativos digitais, a Trope-se busca ser o braço das novas gerações das empresas.
